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PCC e CV terroristas: decisão de Trump ocorre quando PF avança sobre elo de grupo de Bolsonaro com facções que passa por Delaware

2 de junho de 2026

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imagem: Revista Fórum

texto: Plínio Teodoro

   Submisso aos interesses de Donald Trump e imerso no mar de lama das investigações da Polícia Federal (PF) no “andar de cima” do crime organizado, que tem abatido aliados muito próximos como o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ) e o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca com a decisão do governo dos EUA, de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma blindagem do próprio grupo político.

 

   O filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) viajou aos EUA para encontrar Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, na mesma semana em que foram divulgadas informações de que Paulo Calixto e Altieris Santana, da Calixsan Capital Management LLC, abriram em 12 de fevereiro, a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, uma offshore em Delaware, conhecido paraíso fiscal dos EUA onde estão listadas ao menos 15 outras offshores que pertencem ao Grupo Refit, do megasonegador Ricardo Magro, recém incluído na lista vermelha da Interpol.

 

   Calixto é advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) desde que o filho “03” de Jair Bolsonaro (PL) buscou abrigo nos EUA para conspirar contra o Brasil. Altieris Santana surgiu em uma conversa de WhatsApp de Eduardo nesta semana, em que o deputado cassado trata do “patrocínio” de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse dizendo que a “solução” seria “enviar o máximo possível de dinheiro” aos EUA.

 

   Calixto e Santana são os controladores do fundo Havengate, que recebia os aportes estimados em 24 milhões de dólares do “patrocínio” de Vorcaro ao filme de Bolsonaro – sendo que 10 milhões teriam sido efetivamente pagos.

 

   Na mensagem, Eduardo ainda afirma que “o Altieris está à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quer que seja”, mostrando que o controlador dos fundos do filme e de Delaware atua como uma espécie de operador pessoal.

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   Altieris Santana construiu carreira como corretor de imóveis nos EUA e tornou-se sócio de Calixto na Calixsan, “uma empresa de consultoria que oferece soluções especializadas em gestão, permitindo que nossos negócios imobiliários apresentem estruturas excepcionais”.

   “Nosso suporte abrange desde o apoio a startups, estruturação de fundos e análise de mercado, até o monitoramento de conformidade e exceções às exigências do setor”, anuncia a empresa em seu site.

Fator Cláudio Castro

   Horas antes de Marco Rubio anunciar a classificação de CV e PCC como organizações terroristas, comemorada com um “grande dia” por Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro abriu mão da candidatura ao Senado após ser alvo de duas operações da PF em 11 dias: a primeira sobre o caso Refit, de Ricardo Magro, no dia 15 de maio, e a segunda sobre o escândalo do Banco Master, do “irmão” Daniel Vorcaro, no dia 26 do mesmo mês.

   As duas operações revelam que a PF interligou as duas investigações, que atingem o “andar de cima” do crime organizado e atinge frontalmente o grupo político que engloba políticos do Centrão e da ultradireita, que atuam desde 2019 sob o comando do clã Bolsonaro.

   Nesta teia criminosa que une o grupo político às facções e passa pela Faria Lima, a PF descobriu a interlocução direta entre Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a secretaria de Defesa do Consumidor no ex-governo Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, chefe do Comando Vermelho, que seria o responsável pela receptação de armamentos, como fuzis, comprados pela agora “organização terrorista”.

   Como a Fórum revelou, a fusão das duas investigações mostra que o grupo Refit usava as offshores de Delaware para como bunkers para ocultação de bens que, segundo a Receita Federal, pertencem de fato ao empresário Ricardo Magro.

   De acordo com a PF, além da aquisição de imóveis, o esquema de lavagem de dinheiro do grupo incluía o tráfico de armas pesadas dos EUA, como AK-47 e AR-10, que eram enviadas em contêineres.

   As armas eram entregues a “empresários”, como Josias João do Nascimento, agente aposentado da PF, classificado como “Senhor das Armas”, ligado ao brasileiro Frederik Barbieri, condenado por tráfico internacional de armas nos EUA.

   Outro receptor seria o CAC Eduardo Bazzana, preso em maio de 2025. Na casa dele, em Americana, interior paulista, foram apreendidas mais de 200 armas e 40 mil munições.

   O empresário mantinha interlocução com Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o “Zeus”, do Comando Vermelho, que atuava na Muzema, área antes controlada por milicianos ligados ao clã Bolsonaro. A Muzema foi onde Fabrício Queiroz se abrigou após o escândalo das rachadinhas.

Blindagem

   No combate ao PCC há mais de 10 anos, promotor do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakyia afirmou que a decisão anunciada por Marco Rubio, de classificar PCC e CV como organizações terroristas, um dia após encontro com Flávio Bolsonaro, dificulta a cooperação entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado.

   “Passando a ser um assunto de defesa, quem vai tratar disso é a CIA e são os militares. Não é mais um assunto que seria tratado internamente pelo FBI e pela DEA, como a gente vem tratando aqui há muito tempo. Isso vai causar um problema, porque essas informações estando sob a guarda da CIA, elas passam a ser secretas ou confidenciais. Aí a gente não tem acesso a esse nível de documento”, disse, em entrevista ao Jornal Nacional.

   Na mesma linha, o ex-secretário nacional de Segurança Mário Sarrubo afirma que a medida é “muito ruim para o combate ao crime organizado e, em especial, para algo que o País tem feito muito bem, que é a cooperação internacional, que é o diálogo entre as forças policiais brasileiras e americanas, mas também o diálogo com outras forças dos países vizinhos aqui da América do Sul, da América Latina como um todo”.

   Ao Estadão, Sarrubo diz que “a decisão americana deteriora o sistema de cooperação, porque nós deixaremos de tratar a respeito de facções com DEA e com FBI e passaremos a ter que lidar com a CIA, que não conversa com ninguém”.

   Na prática, com a medida, a cooperação e a troca de informações passará por instituições subordinadas à Casa Branca, comandada atualmente por Donald Trump, aliado do clã Bolsonaro que deseja um governo submisso no Brasil para avançar sobre o “quintal” na América Latina, especialmente sobre as reservas de petróleo e terras raras.

   No documento entregue ao presidente dos EUA, antes da reunião com Rubio, Flávio Bolsonaro teria prometido justamente que, se eleito, cumprirá a risco a agenda de interesses de Trump no Brasil, privatizando a Petrobrás e cedendo a exploração das terras raras às mineradoras transnacionais que atuam a partir de Wall Street.

   Em troca, ao que tudo indica, Flávio Bolsonaro obteve a blindagem nas investigações do “andar de cima” do crime organizada durante as eleições para tentar levar os aliados no CV e PCC ao Palácio do Planalto em 2027.

publicação original:

https://revistaforum.com.br/politica/pcc-e-cv-terroristas-decisao-de-trump-ocorre-quando-pf-avanca-sobre-elo-de-grupo-de-bolsonaro/

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