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Economia e Mercado de trabalho batendo records, inflação estável e manutenção da taxa de juros nas alturas

23 de setembro de 2025

  A economia e o mercado de trabalho brasileiro continuam em crescimento, batendo seguidos recordes, e paralelamente a inflação se situa em patamares estáveis, chegando até a atingir a deflação recentemente e, de forma negativa, permanece a elevada taxa de juros em injustificável nível técnico estabelecido pelo Banco Central do Brasil – BACEN.

  Os dados recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE apontam que o Produto Interno Bruto - PIB brasileiro atingiu R$ 3,2 trilhões no segundo trimestre de 2025, representando um crescimento de 0,4% em relação ao trimestre anterior e de 2,2% se comparado ao mesmo trimestre do ano anterior. É o décimo sexto trimestre de crescimento contínuo do PIB brasileiro, atingindo um recorde na série histórica, iniciada em 1996. Ressalte-se que este crescimento de 0,4% do PIB brasileiro, apesar de representar uma queda em relação à verificada no trimestre anterior, se insere num padrão sazonal, de comportamento em que normalmente diminui a sua dinâmica de crescimento no período. 

  Do lado da oferta, o PIB das atividades de Prestação de Serviços, com um crescimento de 0,6% em relação ao trimestre anterior, também atingiu patamar recorde no segundo trimestre de 2025. As atividades industriais apresentaram crescimento (0,5%) enquanto que agropecuária, como normalmente ocorre sazonalmente, recuou no período (-0,1% apenas). As atividades voltadas ao comércio exterior mantiveram seus patamares relativamente estáveis de crescimento, apresentando um pequeno saldo positivo na balança comercial brasileira.

  Na ótica da demanda, também chama a atenção que o Consumo das Famílias, que se constitui no maior setor do PIB nacional, com um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior, da mesma forma atingiu o topo do patamar. Por outro lado, o PIB do setor Consumo do Governo e dos Investimentos (FBCF) apresentaram redução de -0,6% e de -2,2%, respectivamente, no mesmo período.

  Este crescimento do PIB brasileiro, em grande medida, se vincula ao desempenho do seu mercado de trabalho. Segundo as estatísticas da PNAD Contínua trimestral, no segundo trimestre de 2025, a população ocupada brasileira também atingiu o seu máximo, de 102,3 milhões de pessoas, enquanto sua Taxa de Desocupação o seu menor nível de 5,8% desde o ano de 2012. Observa-se também um significativo crescimento recorde da massa salarial gerada (R$ 351,2 milhões) e de aumento do salário médio recebido pela população ocupada no segundo trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, porém em menor intensidade. Em período mais recente, no trimestre terminado em julho de 2025, novos recordes surgiram com a população ocupada chegando a 102,4 milhões de pessoas, a Taxa de Desocupação a 5,6% e a massa salarial a R$ 523,3 milhões.

  Ressalte-se que, paralelamente ao favorável desempenho do mercado de trabalho brasileiro, nos últimos dois anos, segundo informação do Cadastro Único (CadÚnico) observou-se a saída de cerca de quatorze milhões de famílias brasileiras que se encontravam na linha de pobreza (com renda mensal de R$ 0 a R$ 218), representando uma queda de 25% no período. Mesmo assim, 19,4 milhões de famílias ainda se encontram nesta situação. 

  O desempenho do mercado de trabalho atrelado à redução do número de famílias que se encontravam na linha de pobreza seguramente contribuiu de forma significativa para o aumento da demanda da população brasileira, refletido no maior crescimento do setor do PIB do Consumo das Famílias observado no segundo trimestre de 2025. 

  Apesar deste forte aumento da demanda interna, a inflação brasileira tem se mantido em patamares estáveis, bastante próximos da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional - CMN para o ano de 2025 em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Nos últimos doze meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA ficou em 5,13%, abaixo dos 5,23% dos 12 meses imediatamente anteriores e bastante próximo da meta de inflação estabelecida. Vale inclusive discutir a fixação desse patamar de 3%, bastante irreal na vida econômica do país.

  Ressalte-se que, em agosto de 2025, o IPCA apresentou uma deflação de -0,11%, com queda em cinco dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, com destaque para os três de maior peso no índice: Habitação (-0,90%), Alimentação e bebidas (-0,46%) e Transportes (-0,27%). Esta queda, especialmente dos preços dos alimentos e bebidas ocorreu em um momento de forte aumento da demanda das famílias, em um momento de elevado crescimento do emprego e da renda da população brasileira. 

  Esta realidade aponta que o estável crescimento da inflação brasileira, muito próximo da meta estabelecida pelo BACEN, se constitui em uma inflação de oferta e não de demanda, portanto, contrário ao argumento do próprio BACEN para justificar a prática de elevada taxa SELIC no mercado brasileiro. 

  A manutenção da elevada taxa SELIC em patamar injustificável resulta em consequências negativas inadmissíveis para o avanço da socioeconomia brasileira. A alta dos juros estabelecida pelo BACEN promove um forte aperto do crédito, repercutindo negativamente no aumento do consumo e na elevação da inadimplência e do já elevado endividamento das famílias brasileiras, A proporção de consumidores com contas em atraso subiu de 30,0% em julho para 30,4% em agosto de 2025, também se constituindo no recorde de inadimplência da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – PEIC, iniciada em janeiro de 2010.

  Esta política monetária restritiva adotada pelo BACEN, que caminha em sentido contrário a tendência mundial de redução da taxa de juros, também resulta em desestímulo a investimentos a serem realizados que possibilitem o aumento da capacidade produtiva das empresas, assim como da ampliação da infraestrutura existente que, em alguns casos, se constitui em “gargalos” para atender às necessidades demandadas pelo mercado, muitas delas inseridas na órbita governamental. Os impactos negativos sobre os investimentos, tanto para o crescimento da capacidade produtiva quanto para a ampliação da infraestrutura, são espelhados pela queda do PIB na Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF e de Gastos do Governo observada no segundo trimestre de 2025. 
Ademais, a absurda taxa SELIC praticada também impacta no aumento da dívida pública, inibindo investimentos que resultem em benefícios para o crescimento da economia em seu conjunto e para a melhora das condições de sobrevivência da população brasileira.

  Apesar desta realidade vivenciada pela socioeconomia brasileira, por unanimidade, o Comitê de Política Monetária - Copom manteve, rm sua última reunião realizada em meados do mes de setembro, a Taxa SELIC, em 15% ao ano, e a expectativa é que esse patamar siga até o início de 2026.   Mais uma vez reafirmamos que a elevada taxa SELIC praticada pelo BACEN só beneficia o sistema financeiro, prejudicamento a continuidade do crescimento da economia e do mercado de trabalho, com efeitos negativos sobre a demanda do governo e sobre investimentos, tanto na evolução da capacidade produtiva interna quanto em infraestrutura, além de dificultar no avanço na retirada das 19,4 milhões de famílias brasileiras que ainda se encontram na linha de pobreza.

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